segunda-feira, 12 de maio de 2014

Pontuação - 2.º e 3.º anos

USO DA VÍRGULA
A vírgula serve para marcar as separações de sentido entre termos vizinhos, as inversões e as intercalações, quer na oração, quer no período, ou seja: separa termos dentro da oração ou orações dentro do período.
O uso da vírgula é mais uma questão de estilo, pois vai ao encontro da intenção do autor da frase.
A seguir, indicam se alguns casos principais de emprego da vírgula:


a) para separar o aposto explicativo:
- João, meu vizinho, bateu com o carro.
- Todos gostamos de arroz e feijão, alimentos indispensáveis na mesa do brasileiro.
b) para separar o vocativo:
- Mãe, eu estou com fome.
- “Dizei-me Vós, Senhor Deus, se eu deliro ou se é verdade tanto horror perante os céus.” (Castro Alves)
c) para separar os termos de mesma função:
- Comprei arroz, feijão, carne, alface e chuchu.
- Machado de Assis, Castro Alves e Rui Barbosa são escritores brasileiros.
d) para assinalar a inversão dos adjuntos adverbiais (facultativa):
- Na semana passada, o diretor conversou comigo.
- Aos treze dias do mês de julho de mil novecentos e sessenta e seis, nascia Childerico.
e) para marcar a supressão de um verbo:
- Uma flor, essa menina!
- Que terrível, a espera por José...
f) a vírgula também é empregada para indicar a ocultação de verbo já escrito anteriormente (zeugma) ou outro termo (elipse):
- O decreto regulamenta os casos gerais; a portaria, os particulares. — a vírgula indica o zeugma do verbo regulamenta.
- Às vezes procura assistência; outras, toma a iniciativa. — a vírgula indica a elipse da palavra vezes.
g) para separar o nome do lugar, nas datas:
- São Paulo, 21 de novembro de 2004.
- Alvorada do Sul, 13 de julho de 1965.
h) nos complementos verbais deslocados para o começo da frase, repetidos por pronome enfático:
- A rosa, entreguei-a para a menina.
- A mim, nada mais me resta!
i) para isolar expressões explicativas, corretivas, continuativas, conclusivas, tais como: por exemplo, além disso, isto é, a saber, aliás, digo, minto, ou melhor, ou antes, outrossim, demais, então, com efeito etc.
- A menina, aliás, estava linda!
- Não se deve, por exemplo, colocar vírgula entre sujeito e verbo.
- Todos querem o melhor, isto é, as coisas boas da vida.
j) para isolar orações ou termos intercalados (aqui se usam também, no lugar das vírgulas, travessões ou parênteses):
- A casa, disse Asdrúbal, precisa de reforma.
- A casa — disse Asdrúbal — precisa de reforma.
- A casa (disse Asdrúbal) precisa de reforma.
- Atanagildetina, ontem, estava linda.
- Atanagildetina — ontem — estava linda.
- Atanagildetina (ontem) estava linda.
k) para separar orações paralelas justapostas, isto é, não ligadas por conjunção:
- Chegou a Brasília, visitou o Ministério das Relações Exteriores, levou seus documentos ao Palácio do Buriti, voltou ao Ministério e marcou a entrevista.
- Abriu a geladeira, pegou a garrafa d’água, encheu um copo até a borda e deixou-o cheio sobre a mesa.
l) para separar as orações coordenadas assindéticas:
- Maria foi à feira, José foi ao mercado, Pedro preparou o almoço.
- Radegondes estudava Português, Childerico jogava cartas, Asdrúbal lia história em quadrinho.
m) para separar as orações coordenadas ligadas por conjunções:
- Maria foi ao mercado, mas não comprou leite.
- Os meninos estavam no pátio, pois não havia aula naquele momento.
- Pascoalina estuda bastante, logo terá um bom desempenho na prova.
 
Curiosidade: As orações coordenadas sindéticas aditivas, ainda que sejam iniciadas pela conjunção e, podem ser separadas por vírgula quando proferidas com pausa:
- Radegondes não trouxe o livro que prometera, e eu fiquei triste por isso.
- Todos olhavam para o menino que gritava, e não entendiam a razão daquele escarcéu!
n) para separar as conjunções coordenativas intercaladas ou pospostas ao verbo da oração a que pertencem:
- Dedicava-se ao trabalho com afinco; não obtinha, contudo, resultados.
- O ano foi difícil; não me queixo, porém.
- Era mister, pois, levar o projeto às últimas consequências.
- Todos queriam macarrão; Âni desejava, porém, arroz.
o) para separar as orações subordinadas adjetivas explicativas:
- O homem, que pensa, é um ser racional.
- Roberto Carlos, que foi eleito “rei” em nosso país, foi homenageado no carnaval carioca.
Curiosidade: Os orações subordinadas adjetivas restritivas podem ter uma vírgula no fim, sobretudo quando forem longas. Essa pontuação é correta, mesmo que separe o sujeito expandido do seu verbo.
- O homem que carrega nos braços o seu filho adormecido, é o Asdrúbal.
- O autor do livro que virou um conhecido filme estrelado por um famoso ator brasileiro, morreu ontem.
p) para separar as orações subordinadas adverbiais, principalmente quando antepostas à principal:
- Ela fazia a lição, enquanto a mãe costurava.
- A menina ficará muito feliz, se você lhe der aquela boneca.
- Enquanto a mãe costurava, Pascoalina fazia a lição.
- Quando todos se recolheram aos seus aposentos, a dona da pensão pode relaxar um pouco.
q) para separar as orações reduzidas:
- Somente casando com Asdrúbal, você será feliz.
- Ao sair, apague a luz.
- Terminada a missa, todos foram para as suas casas.


PONTO E VÍRGULA

O ponto e vírgula, em princípio, separa estruturas coordenadas já portadoras de vírgulas internas. É também usado em lugar da vírgula para dar ênfase ao que se quer dizer.

Exemplos:

- Sem virtude, perece a democracia; o que mantém o governo despótico é o medo.

- A borboleta voava; os pássaros cantavam; a vida seguia tranquila.

- Em 1908, vovô nasceu; em 1950, nasceu papai.

- As leis, em qualquer caso, não podem ser infringidas; mesmo em caso de dúvida, portanto, elas devem ser respeitadas.

- Art. 15. É vedada a cassação de direitos políticos, cuja perda ou suspensão só se dará nos casos de:

I — cancelamento da naturalização por sentença transitada em julgado;

II — incapacidade civil absoluta;

III — condenação criminal transitada em julgado, enquanto durarem seus efeitos;

IV — recusa de cumprir obrigação a todos imposta ou prestação alternativa, nos termos do art. 5º, VIII;

V — improbidade administrativa, nos termos do art. 37, § 4º.
 

DOIS PONTOS

Emprega-se este sinal de pontuação:

a) antes de uma citação:

- Rui Barbosa afirmou: “Esta minha a que chamam prolixidade, bem fora estaria de merecer os desprezilhos que nesse vocábulo me torcem o nariz.”

- Quem foi que disse: “Há mais coisas entre o céu e a terra do que supõe nossa vã filosofia.”?

b) para indicar enumeração:

- Fui à feira e comprei: uva, maçã, melancia, jaca.

- Gosto de todo tipo de arte: música, cinema, teatro.

c) antes de aposto discriminativo:

- A sala possuía belos móveis: sofá de couro, mesa de mogno, abajures de pergaminho, cadeiras de veludo.

- Ela gostava de cores fortes: vermelho, laranja, marrom.

d) antes de explicação ou esclarecimento:

- Todos os seres são belos: um inseto é belo, um elefante é belo.

- Só quero uma coisa na vida: ser feliz!

e) depois de verbo dicendi (dizer, perguntar, responder, falar etc.):

- Maria disse: — A língua portuguesa é muito fácil!

- A rapaz, asperamente, retrucou: — Não fui eu!

 

PONTOFINAL

Usa-se:

a) no final do período, indicando que o sentido está completo:

- A menina comeu a maçã.

- A terra é azul.

- Ela sempre espera que eu traga as maçãs caramelizadas de que tanto gosta.

b) nas abreviaturas: Dr.; Sr.; pág.

 

PONTO DE INTERROGAÇÃO

O ponto de interrogação, como se depreende de seu nome, é utilizado para marcar o final de uma frase interrogativa direta:

- Até quando aguardaremos uma solução para o caso?

- Qual será o sucessor do Secretário?

Curiosidade: Não cabe ponto de interrogação em estruturas interrogativas indiretas, nem em títulos interrogativos

- Quero saber onde a senhorita esteve até esta hora.

- O que é linguagem oficial

- Por que a inflação não baixa

- Como vencer a crise

 

PONTO DE EXCLAMAÇÃO

O ponto de exclamação é utilizado:

a) depois de qualquer palavra ou frase, na qual se indique espanto, surpresa, entusiasmo, susto, cólera, piedade, súplica:

- Tenha pena de mim!

- Coitado sou eu!

- Ai!

- Nossa!

b) nas interjeições:

- Ah!

- Vixe!

- Puxa!

c) nos vocativos intensivos:

- Senhor Deus dos desgraçados! Protegei-me.

- Colombo! Veja isso...

 

RETICÊNCIAS

Usam-se:

a) para indicar supressão de um trecho nas citações:

- “... a generosidade de quem no-la doou.” (Rui Barbosa)

- “Saí, afastando-me dos grupos...” (Machado de Assis)

b) para indicar interrupção da frase:

- Ela estava... Não, não posso dizer isso.

- A vida... Sei lá... Não sei o que dizer sobre a vida.

c) para indicar hesitação:

- Acho que eram... 12h... não sei ao certo, disse Jocasta.

- Quero uns dez... ou doze pães.

d) para deixar algo subentendido no final da frase:

- Deixa o seu coração dizer a verdade...

- Ela sabe que eu quero...

 

PARÊNTESES

Os parênteses são empregados nas orações ou expressões intercaladas.

- O Estado de Direito (Constituição Federal, art. 1º) define-se pela submissão de todas as relações ao Direito.

Curiosidade: Quando a frase inteira se encontra dentro dos parênteses, o ponto final vem antes do último parêntese:

- O decreto regulamenta os casos gerais; a portaria, os particulares. (Nesta frase, a vírgula indica o zeugma do verbo regulamenta.)

 

TRAVESSÃO

O travessão é empregado nos seguintes casos:

a) substitui parênteses, vírgulas, dois pontos:

- O controle inflacionário — meta prioritária do Governo — será ainda mais rigoroso.

- As restrições ao livre mercado — especialmente o de produtos tecnologicamente avançados — podem ser muito prejudiciais para a sociedade.

b) indica a introdução de enunciados no diálogo:

- Indagado pela comissão de inquérito sobre a procedência de suas declarações, o funcionário respondeu: — Nada tenho a declarar a esse respeito.

c) indica a substituição de um termo, para evitar repetições:

O verbo fazer vide sintaxe do verbo —, no sentido de tempo transcorrido, utilizado sempre na 3.ª pessoa do singular: Faz dois anos que isso aconteceu.

d) dá ênfase a determinada palavra ou pensamento que segue:

- Não há outro meio de resolver o problema — promova-se o funcionário.

- Ele reiterou suas ideias e convicções — energicamente.

 

ASPAS

As aspas têm os seguintes empregos:

a) usam-se antes e depois de uma citação textual:

- A Constituição da República Federativa do Brasil, de 1988, no parágrafo único de seu art. 1º, afirma: “Todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente”.

b) dão destaque a nomes de publicações, obras de arte, intitulativos, apelidos etc.:

- O artigo sobre o processo de desregulamentação foi publicado no “Jornal do Brasil”.

- A Secretaria da Cultura está organizando uma apresentação das “Bachianas”, de Villa Lobos.

c) destacam termos estrangeiros:

- O processo da “détente” teve início com a Crise dos Mísseis em Cuba, em 1962.

- “Mutatis mutandis”, o novo projeto é idêntico ao anteriormente apresentado.

d) nas citações de textos legais, as alíneas devem estar entre aspas:

- O tema é tratado na alínea “a” do art. 146 da Constituição.



Fonte: MARTINO, Agnaldo. Português esquematizado: gramática, interpretação de texto, redação oficial, redação discursiva. São Paulo: Saraiva, 2012.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

JUVENTUDE DOS TEMPOS MODERNOS

  JUVENTUDE DOS TEMPOS MODERNOS Evaí Oliveira Outro dia, eu estava lendo sobre a geração nem-nem, nem estuda nem trabalha. Eu incluiri...